Prestes a completar um ano, "Xuxa Meneghel" ainda não disse a que veio

Há pouco mais de um ano, a Record vivia envolta ao “oba-oba” de ter realizado uma das principais contratações já vistas na televisão brasileira: Xuxa Meneghel, uma das principais estrelas da concorrente Globo (e da televisão brasileira), agora pertencia aos seus quadros. Com direito a transmissão de assinatura de contrato ao vivo, com pompa e tapete vermelho, a chegada de Xuxa à emissora da Barra Funda foi um acontecimento digno de Oscar. Em agosto do ano passado, seu tão anunciado Programa Xuxa Meneghel finalmente estreava, nas noites de segunda-feira do canal.

No entanto, passada a euforia da estreia, o Programa Xuxa Meneghel passou a frequentar o noticiário televisivo com informações não muito amistosas. A queda de audiência da atração passou a despertar tanto (ou mais) interesse que as notícias da contratação da loira. O programa, que estreou com 10 pontos de média, caiu pela metade. As derrotas para o Programa do Ratinho e o Máquina da Fama, do SBT, se tornaram manchetes. O clima amistoso da chegada da estrela à Record deu espaço a um clima de insegurança e instabilidade. O namoro entre Xuxa e a Record parecia ter entrado em sua primeira crise.

Pouco tempo após a estreia, o Programa Xuxa Meneghel perdeu uma de suas características principais: deixou de ser ao vivo. Pipocaram notinhas de que a emissora estava insatisfeita com algumas declarações de Xuxa, bem como sua performance à frente do quadro Conto de Fadas, no qual seus convidados revelavam segredos picantes de sua intimidade. Ao mesmo tempo, choveram críticas de todos os lados quanto ao formato do programa, que parecia cada vez mais chato e arrastado no vídeo.

As críticas tinham razão de ser. Inspirado em The Ellen DeGeneres Show, o Programa Xuxa Meneghel tinha seu formato ancorado em entrevistas. No entanto, os bate-papos apresentados por Xuxa nunca rendiam. A impressão que dava, sobretudo nos primeiros meses da atração, era de que o programa não tinha roteiro, e tudo parecia meio perdido. Xuxa se mostrava perdida, e os convidados, mais ainda. Talvez percebendo isso, o programa passou a dar espaço a outros quadros, como competições de calouros e dublagens. Outro erro: ficou parecendo que o Programa Xuxa Meneghel imitava a concorrência, já que Ratinho e Patrícia Abravanel apresentam justamente quadros assim em seus programas no SBT.

Além disso, ainda havia o pior dos erros: o programa era muito centrado na própria Xuxa. Ela era a estrela e a pauta, e praticamente todos os quadros viviam de lembrar seu passado de estrela, retratando a euforia dos fãs ao vê-la em suas casas, e resgatando ícones de um passado distante, como sua nave espacial e paquitas dos tempos de Xou da Xuxa. Com isso, o Programa Xuxa Meneghel tornou-se um programa sobre Xuxa e voltado unicamente aos fãs da loira, adultos que cresceram vendo-a na TV. Assim, a Record inviabilizou a urgente necessidade de reinventar Xuxa como apresentadora, pois não permitiu que seu programa atraísse uma audiência formada não por fãs de Xuxa, mas simplesmente por quem busca um bom entretenimento nas noites de segunda-feira.

No início do ano, Programa Xuxa Meneghel sofreu uma importante baixa, com a saída do diretor Mariozinho Vaz (que dirigiu a melhor fase do TV Xuxa na Globo, diga-se). Em seu lugar, entrou Ignácio Coqueiro, que vinha da bem-sucedida implantação do Hora do Faro nas tardes de domingo da Record. Falou-se que o diretor faria profundas reformulações no programa de Xuxa. No entanto, isso ainda não aconteceu, embora já seja possível notar uma sutil melhora no ritmo da atração. Até aqui, a nova direção recolocou o sofá como um dos protagonistas do programa e melhorou o roteiro, dando uma pauta específica para Xuxa e seus convidados, que já não parecem mais tão perdidos em cena. Nos últimos programas, tudo estava mais redondo. Recentemente, Xuxa recebeu a dupla Maiara e Maraísa, fazendo do programa uma homenagem a elas, que tiveram espaço para cantar e contar suas trajetórias. Foi o recorde de audiência do ano. No episódio seguinte, Xuxa recebeu integrantes do coletivo Porta dos Fundos, entre eles Fabio Porchat, nova estrela do canal, e abordou o trabalho deles na internet, além de colocá-los em brincadeiras e situações inusitadas. Foi divertido. Na última segunda-feira, a atração recebeu integrantes do Power Couple Brasil e dedicou seu tempo a repercutir a trajetória do reality, que terminou no dia seguinte. É bom quando a Record percebe que divulgar sua própria grade nos programas é importante.

Mas, mesmo com as mudanças e os ajustes no roteiro, o Programa Xuxa Meneghel ainda não decolou na audiência, que oscila, mas costuma manter-se nos 6 pontos de média no Ibope. Com isso, ainda são constantes as notícias de que o programa preocupa a direção da emissora. Segundo o site Notícias da TV, a Record estuda levar a produção do Programa Xuxa Meneghel para São Paulo, onde está a base da emissora. Com isso, seria mais fácil implantar alguns quadros importados e “incrementar” a atração. Além disso, é evidente que a sede paulistana da emissora tem muito mais know-how na execução de programas de auditório do que o antigo RecNov, atual estúdio da Casablanca. Mas se isso vai mesmo acontecer, e se terá algum efeito prático na audiência da atração, só o tempo dirá.

O que se percebe desde já é que a direção da Record não foi feliz com a implantação do Programa Xuxa Meneghel. O canal parece ter acreditado que apenas o nome de Xuxa já traria ao programa visibilidade suficiente, entregando a ela uma atração sem nenhum apelo. Um grande erro, já que nem na Globo o nome de Xuxa era sinônimo de audiência, muito pelo contrário. Por mais que ela atraia mídia, isso não garante o sucesso do programa que assina. A atração precisa se sustentar por si mesma, ainda mais neste contexto de profundas mudanças na carreira da apresentadora. Afinal, Xuxa se construiu na TV comandando matinais e vespertinos infantis e familiares e, de repente, foi colocada no horário nobre da segunda-feira, um território totalmente novo. Sempre se fez necessário um grande planejamento, que fosse capaz de fazer uma transição bem-sucedida na carreira de Xuxa, mas isso não aconteceu. Esta falta de cuidado respingou no Programa Xuxa Meneghel, que agora terá que “rebolar” para conquistar alguma credibilidade. Missão das mais espinhosas.

André Santana

Chris Flores retorna ao "Hoje Em Dia"

Nesta semana, quem ligou a TV de manhã na Record teve uma grata surpresa com a volta de Chris Flores ao comando do Hoje Em Dia. A apresentadora, que deixou a atração no início do ano passado, foi escalada para substituir Ana Hickmann e Ticiane Pinheiro no matinal ao longo desta semana, já que Ana está numa viagem a trabalho, e Ticiane se encontra em férias.

O retorno foi apenas por uma semana, mas a atitude da direção da Record é significativa. Afinal, quando Chris, Edu Guedes e Celso Zucatelli foram tirados do Hoje Em Dia, aconteceu um certo barulho. Por mais que a Record se esforçasse em tentar convencer o público de que a substituição tinha sido numa boa, a audiência não aceitou com muita tranquilidade a mudança, e até surgiram campanhas na internet de boicote aos anunciantes da atração. Neste contexto, o trio “antigo” foi convidado pela RedeTV para repetir a parceria por ali, mas apenas Celso e Edu toparam trocar de canal. Chris Flores optou por cumprir seu contrato com a Record.

Ao longo do ano passado, o silêncio era uma constante sobre o destino de Chris Flores na Record. Falou-se que ela poderia ganhar um quadro no Domingo Espetacular, o que não aconteceu. Depois, de que ela integraria o Programa da Tarde, mas o vespertino acabou rifado da grade. Mas, no final do ano, a emissora optou por requentar o excelente Troca de Família para usá-lo como tapa-buracos, já que havia um espaço na linha de shows ao fim de A Fazenda, e escalou Chris para ancorar o repeteco. O retorno de Troca de Família deu tão certo que acabou ficando no ar por mais tempo do que o previsto inicialmente.

Obviamente, o êxito de Troca de Família tem a ver com o programa em si, que é realmente muito bom, e não é necessariamente mérito de quem o apresenta. Afinal, a atração sempre registrou bons índices de audiência no passado, e já teve várias apresentadoras, como Patrícia Maldonado, Ana Paula Tabalipa e Amanda Françoso. O espaço de Chris Flores ainda foi maior do que de suas antecessoras, já que, como se tratava de uma reprise, ela comandava entrevistas com as participantes antigas do programa, que revelavam o que havia mudado em suas vidas após a participação no programa. No entanto, por mais que Chris Flores não fosse a protagonista de Troca de Família, sua presença foi bem agradável, já que ela se mostra sempre como uma figura simpática e terna junto ao telespectador. Foi bom para matar as saudades, e ela cumpriu seu papel com muita competência.

E, agora, o retorno ao Hoje Em Dia, mesmo como substituta, mostra que a Record ainda aposta em Chris Flores, o que é uma ótima notícia. Ótima profissional, Chris merece permanecer no ar. Se o canal não consegue formatar uma atração fixa para aproveitar Chris Flores, pode ser uma saída colocá-la em projetos especiais, como a Globo faz com Fernanda Lima, por exemplo. O Troca de Família deve voltar ao ar em breve, garantindo mais um pouco a presença de Chris Flores no vídeo. E a emissora devia pensar em novas possibilidades para a jornalista, que é “cria da casa”. O público agradece!

André Santana

"Chapa Quente" com futuro incerto na Globo

Com sua segunda temporada entrando na reta final, a série Chapa Quente ainda não sabe qual o seu destino na grade da Globo. Lançada no ano passado com a ingrata missão de substituir A Grande Família, a série criada por Claudio Paiva trouxe dois campeões de bilheteria para as noites de quinta-feira da Globo: Leandro Hassum e Ingrid Guimarães. A audiência não é das piores, e até se mantém num bom patamar, mas Chapa Quente está bem longe de ser uma unanimidade como foi as aventuras da família Silva.

A Globo ainda não fala sobre a grade de 2017, mas, ao que tudo indica, há grandes chances de Chapa Quente não continuar. Esta conclusão se faz baseada na confirmação de Ingrid Guimarães no elenco de Novo Mundo, trama das seis assinada por Thereza Falcão e Alessandro Marzon, que estreia no ano que vem. Segundo fontes diversas, a atriz interpretará a vilã da trama, que será uma novela de época. Com isso, Ingrid não estaria disponível no ano que vem para uma terceira leva de episódios de Chapa Quente. Ou seja, ou a Globo vai adiar o retorno da série, ou a série deixa mesmo a grade em definitivo.

Chapa Quente divide opiniões. A série reúne dois grandes talentos do humor nacional, que vivem um casal em pé de guerra: Marlene e Genésio. Além dos protagonistas, a série conta com coadjuvantes eficientes: Tiago Abravanel (Fran), Lucio Mauro Filho (Bigode), Eduardo Estrela (Noronha), Paulinho Serra (Marreta), Thalita Carauta (Celma) e Renata Gaspar (Josy) são excelentes! E, neste ano, o elenco teve o luxo de receber nada menos que Marcos Caruso, que vive o Deputado Moacir, pai de Marlene. Mesmo assim, alguma coisa impede Chapa Quente de decolar.

Um dos principais problemas da série é o texto pouco inspirado. Com um humor fácil e batido, a série não repete o brilhantismo de A Grande Família ou Tapas & Beijos, outras atrações com a mesma grife de Claudio Paiva. Hassum e Ingrid funcionam juntos, é verdade, mas seus personagens soam como repetição de tudo o que já fizeram. Hassum praticamente interpreta a si mesmo, um sujeito gritalhão e verborrágico, enquanto Ingrid parece repetir sua Pit, de Sob Nova Direção. Neste contexto, os personagens coadjuvantes surgem muito mais interessantes que os protagonistas, mas até eles também são limitados, por melhor que seja o elenco.

Recentemente, o site Notícias da TV, em matéria assinada por Daniel Castro, afirmou que há uma ciumeira na Globo entre os roteiristas da casa. Segundo a matéria, os autores sentem-se preteridos dentro do núcleo de Guel Arraes (diretor de teledramaturgia semanal), afirmando que o diretor só abre espaço a uma “panelinha” de amigos. Coincidência ou não, fato é que Claudio Paiva vem assinando série atrás de série (ele também emplacou Amorteamo no ano passado), enquanto o outro espaço atual para séries da emissora seja ocupado por Mister Brau, de Jorge Furtado (também amigo e parceiro de Arraes). No caso de Mister Brau, a permanência da série no ar se justifica, afinal, é um excelente produto. No entanto, Chapa Quente é questionável. É até surpreendente que tenha emplacado um segundo ano, após uma primeira temporada mediana. Talvez seja mesmo a hora de parar e abrir espaço para novidades nas noites de quinta.

André Santana

Há 33 anos, estreava o lendário "Clube da Criança"

A TV Manchete teve uma trajetória menor do que a RedeTV, emissora que a substituiu, mas deixou muitas marcas na história da televisão brasileira. Uma delas é o lendário infantil Clube da Criança, atração diária exibida nos finais de tarde que ditou moda entre os programas infantis que surgiriam entre as décadas de 1980 e 1990, lançou Xuxa Meneghel e Angélica como ídolos nacionais, e se tornou uma referência entre o público mirim. A primeira edição do Clube da Criança foi ao ar no dia 14 de junho de 1983, ou seja, há exatos 33 anos e quatro dias.

Criado e dirigido por Mauricio Sherman, o Clube da Criança lançou a então modelo Xuxa Meneghel como apresentadora de televisão. A atração trazia a jovem Xuxa em trajes sumários, rodeada por crianças, comandando brincadeiras, sorteios e atrações musicais, ao mesmo tempo em que anunciava desenhos animados. Não tenho lembranças do Clube da Criança com Xuxa (nasci em 1984), mas, graças à internet e ao “santo YouTube”, podemos conferir diversos vídeos da atração na rede. Os vídeos chamam a atenção pela impaciência de Xuxa com os pequenos e pela produção, digamos, “modesta”. Não era raro Xuxa se perder em cena, tentando achar o rumo do programa, e bronqueando algumas crianças. Os vídeos do Clube da Criança se tornaram hits na internet e geraram diversos “memes”, entre eles o famoso “aham, Cláudia, senta lá!”.

Mesmo com este clima caótico, o Clube da Criança fez sucesso e despertou o interesse da Rede Globo em Xuxa. Em 1986, a apresentadora se transferia para o principal canal do país à frente do matinal Xou da Xuxa, uma espécie de Clube da Criança “gourmetizado”. Foi a atração da Globo que tornou Xuxa um ícone infantil, fazendo-a um dos principais nomes da televisão brasileira. Enquanto o Xou da Xuxa explodia na audiência, a artista vendia discos aos baldes, fazia shows por todo o país e arrastava multidões para os cinemas com seus filmes, como o “clássico” Lua de Cristal. Xou da Xuxa ficou no ar até 1992, e a apresentadora fez alguns programas no exterior, retornando à Globo no ano seguinte. Emplacou atrações como Xuxa, Xuxa Park, Planeta Xuxa, Xuxa no Mundo da Imaginação e TV Xuxa. Deixou a Globo em 2015 para apresentar o Programa Xuxa Meneghel na Record.

Enquanto isso, o Clube da Criança saiu do ar em 1986, retornando em 1988 com a apresentação de Angélica. A loirinha, então com 14 anos, já fazia sucesso como modelo infantil, e já apresentava outro infantil na Manchete, o Nave da Fantasia. Mas foi com o Clube da Criança que Angélica explodiu, tornando-se uma grande artista ainda na adolescência. Com Angélica, o Clube da Criança já se inspirava, claramente, no Xou da Xuxa, com uma produção mais caprichada, brincadeiras, música e auditório. A atração garantia boa audiência nas tardes da Manchete graças ao carisma de Angélica e aos desenhos e séries japonesas, que dominavam o programa. Começava a ascensão de Angélica, que lançava-se, também, como cantora, lançando o hit “Vou de Táxi”. O sucesso da canção foi tamanho que teve direito a clipe lançado no Fantástico, e participações constantes de Angélica em outros programas da rival Globo, como o Globo de Ouro e o próprio Xou da Xuxa. Enquanto isso, Angélica galgava mais espaço na Manchete, com o semanal Milk Shake e a participação na novela O Guarani.

Angélica seguiu no comando do Clube da Criança até 1993, quando se transferiu para o SBT. Na emissora de Silvio Santos, Angélica estreou à frente do Casa da Angélica, infantil nos mesmos moldes do Clube da Criança, e mesclando dramaturgia, trazendo a apresentadora interpretando diversos personagens em quadros de humor. Mas a apresentadora aconteceu mesmo no canal à frente do Passa ou Repassa, que anteriormente Gugu comandava aos domingos. Exibido nas tardes de segunda a sexta, Passa ou Repassa com Angélica foi um grande sucesso, credenciando a apresentadora a “herdar” outro programa de Gugu, o game TV Animal. Com três programas diários, Angélica passou a incomodar a Sessão da Tarde com seu Passa ou Repassa, e acabou contratada pela Globo. No canal, onde está até hoje, a loira comandou os infantis Angel Mix, Caça Talentos, Flora Encantada e Bambuluá, além do reality show Fama e do Vídeo Game, quadro do Vídeo Show. Há dez anos, comanda o Estrelas, nas tardes de sábado.

Sem Xuxa e Angélica, o Clube da Criança teve sobrevida, mas nunca mais foi o mesmo. A atriz Mila Christie comandou a atração entre 1993 e 1994, quando foi substituída pela ex-miss Pat Nogueira, que acabou conhecida pelo bordão “Pat Beijo!”, e que tinha a mania insuportável de colocar a palavra “Pat” em tudo o que dizia (“Pat Pat rapidinho!”, entre outras frases). Nesta época, o Clube da Criança ficou famoso mesmo por ser o programa que exibia Cavaleiros do Zodíaco, uma febre entre as crianças entre os anos de 1994 e 1997. Tanto que o programa saiu do ar em 1995, mas o desenho permaneceu, numa faixa independente. O Clube da Criança só retornaria em 1997, bem mais modesto: a menina Debby Lagranha e um boneco com cara de coelho conversavam em “cabeças” minúsculas entre um desenho e outro (apenas clássicos de Hanna-Barbera, como Corrida Maluca e Bacamarte e Chumbinho). Com meia hora de duração, esta última versão do Clube da Criança saía do ar em 1998, um ano antes da Rede Manchete chegar ao fim.

Ou seja, Clube da Criança não foi apenas a atração que lançou Xuxa e Angélica, mas também serviu de fonte de inspiração para praticamente todos os infantis exibidos entre o final dos anos 1980 e início de 1990 na televisão brasileira. O formato criado no Clube (e “aperfeiçoado” no Xou da Xuxa) foi utilizado também por Mara Maravilha, Simony, Mariane, Sérgio Mallandro e Eliana. E é interessante relembrar esta trajetória, ainda mais neste momento da TV brasileira, em que não há mais investimentos em programas infantis (com exceção do Bom Dia e Cia do SBT, que segue firme e forte). O motivo para isso todos sabemos: com a limitação da publicidade infantil, programas para crianças deixaram de ser um bom negócio para as emissoras. O problema é o que isso significará nos próximos anos. A minha geração, e as que vieram tempos depois, “aprenderam” a ver TV assistindo a praticamente todos os programas citados neste texto. Mas e as próximas gerações? Quem será o espectador de amanhã? Não por acaso, a internet e as novas mídias são as preferidas dos mais novos. A TV já não mais os atende.

André Santana

Record conquista bons resultados com reprises de novelas

Desde que lançou a estratégia de copiar a grade da Globo e apostar alto na produção de novelas, a Record sonhava com a implantação de uma faixa de reprises de novelas, tal qual o Vale a Pena Ver de Novo. Quando chegou a ter três folhetins inéditos na grade, a emissora tentou também alguns repetecos, seja na faixa das 14h, ou na das 17h. Tramas bem-sucedidas, como Prova de Amor, Bicho do Mato e Caminhos do Coração ganharam reprises mornas. Essas Mulheres, uma das melhores do canal, teve um retorno tão pífio que acabou sendo interrompida. Só as reprises de A Escrava Isaura apresentavam bons números.

Os anos se passaram, a Record já não imita mais a Globo, e tudo está bem diferente. Atualmente, só existem duas novelas inéditas no ar porque o canal desistiu de substituir Os Dez Mandamentos por Escrava Mãe (há quem diga que a faixa das 19h30 vai continuar, o que seria muito bom! Vamos ver!). E depois de um bom tempo sem apostar em reprises de novelas, a Record se viu obrigada a rifar o falido Programa da Tarde e optou por trazer não um, mas dois folhetins repetidos em suas tardes. E os primeiros resultados de Prova de Amor (reprisada pela segunda vez) e Dona Xepa não foram nada animadores, o que nos levou a concluir que apostar em novelas num horário em que o SBT se encontrava forte com tramas mexicanas não tinha sido uma boa ideia.

No entanto, o tempo tratou de mostrar que a insistência da Record estava correta. Dona Xepa foi o mesmo fiasco de sua exibição original, mas Prova de Amor, aos poucos, foi conseguindo ampliar seu público. No horário seguinte, Dona Xepa terminou e deu lugar a Chamas da Vida, cujos resultados são mais animadores. Aí foi a vez de Prova de Amor se despedir e o canal, acertadamente, apostou no retorno de Amor e Intrigas, novela que atingiu bons índices em sua exibição original e que voltou ao ar também demonstrando fôlego. A audiência vem girando em torno dos 6 pontos no Ibope, garantindo a vice-liderança no horário.

A Record foi feliz ao apostar no retorno de Amor e Intrigas. A trama de Gisele Joras, protagonizada por Vanessa Gerbeli, Renata Dominguez e Luciano Szafir é um folhetim clássico e muito bem estruturado, com boa direção e excelentes atuações. Além disso, não é essencialmente policial, como foram várias outras da emissora produzidas na mesma época, o que coloca Amor e Intrigas como uma boa atração para o público vespertino. E por todos estes méritos, merecia mesmo uma reexibição, e que veio num momento oportuno, afinal, ela foi exibida originalmente em 2007, ou seja, está longe de ser um retorno precoce.

Mas, mesmo com os bons resultados, é questionável a decisão da Record de exibir duas novelas à tarde. Isso porque o arquivo da emissora possui poucas opções para um repeteco que seja adequado à exibição vespertina, ou seja, logo o canal terá problemas em continuar a faixa e terá que apostar em re-reprises. Afinal, que boas novelas há no seu acervo que cairiam bem no horário? Bela, a Feia seria uma boa opção. Já Luz do Sol, embora seja leve, era bem chatinha e não valeria a pena uma reprise. E as melhores novelas da emissora tinham uma pegada mais policial que poderia inviabilizar uma reprise vespertina, como Vidas Opostas, Poder Paralelo ou Vidas em Jogo. Se bem que isso não parece ser um problema para o canal, que picotou Chamas da Vida para exibir à tarde. O que não pode é trazer de volta coisas como Caminhos do Coração ou promover um retorno precoce de Os Dez Mandamentos.

André Santana

SBT se dá bem com grade fixa e faixa de realities aos sábados

Num passado não muito distante, e que ainda teima em voltar de vez em quando, o SBT era conhecido por ser extremamente imediatista. Qualquer lançamento que não correspondesse às expectativas do canal era sumariamente cortado da grade, mesmo com pouco tempo de vida. Não foram poucos os programas que mal estrearam e logo se despediram do público, sem direito a uma chance de mostrar a que veio. Alguns chegaram a ter apenas uma edição (lembra do Telefone e Ganhe com a Helen Ganzarolli, ou Você É o Jurado com o Supla?).

No entanto, já faz algum tempo que a emissora tem sido menos imediatista e dado o devido tempo para um produto se estabelecer. E suas noites de sábado, atualmente, são a prova viva de que insistir em algo com a devida coerência pode, sim, render bons frutos. Com Esquadrão da Moda, Bake Off Brasil – Mão na Massa e Sabadão, o canal tem conquistado a vice-liderança de maneira costumeira, num horário cuja posição já estava consolidada na Record.

Tudo começou quando o SBT lançou uma nova temporada do Esquadrão da Moda na faixa das 20h30 dos sábados no ano de 2012. Sem tradição em produções próprias no horário, salvo uma ou outra experiência anterior, o canal obteve índices medianos com o Esquadrão, atração que já havia rendido mais resultados no passado. Mesmo assim, o Esquadrão seguiu firme e forte na faixa, até porque o programa sempre foi um negócio rentável para o SBT, e a emissora precisa faturar. Neste período, o Esquadrão da Moda chegou a mudar para às 21h15, quando a série Patrulha Salvadora estreou, mas voltou ao horário das 20h30 ao final do infantil.

Aí, foi a vez de o SBT fixar a faixa das 21h30 para seus realities culinários. Bake Off Brasil abriu os trabalhos, seguido por Hell’s Kitchen e BBQ Brasil. A dobradinha de reality shows nas noites de sábado acabou fortalecida. Por fim, o despretensioso Sabadão estreou, prolongando a programação de entretenimento das noites de sábado da emissora de Silvio Santos. Sem mexer muito nos horários desde então, o canal viu esta trinca, aos poucos, começar a agregar público e se destacar na acirrada briga do Ibope.

A coisa melhorou com a estreia da segunda temporada do Bake Off Brasil. O reality de confeiteiros fez a audiência do SBT no horário subir, chegando aos 8 pontos de média no Ibope no último sábado, 11. O Esquadrão da Moda, fazendo sala de espera, também se deu bem e registrou 7,5; já o Sabadão recebeu em alta da atração de Ticiane Villas Boas e manteve-se nos 7 pontos. Com isso, o SBT deixou o Programa da Sabrina e o Legendários em terceiro lugar. Ou seja, a emissora fixou uma grade coerente, foi paciente diante dos primeiros resultados, insistiu em suas apostas e conseguiu, aos poucos, chamar a atenção do público. Sem dúvidas, o SBT amadureceu muito nos últimos anos, e agora colhe os bons frutos desta mudança de postura.

André Santana

Com "João Kléber Show", RedeTV tenta reinventar João Kléber

João Kléber já pode ser considerado um patrimônio histórico da RedeTV. Um dos primeiros contratados do canal, o apresentador estava no pacote de estreias da primeira grade da emissora, lançada em 15 de novembro de 1999. Foi neste dia que ele entrou no ar com o Te Vi na TV, anunciado como “a volta do humor nas noites de segunda”. A atração ocupava a faixa das 22h30 das noites de segunda-feira do canal, compondo uma espécie de linha de shows da emissora – de terça a sexta, o espaço era ocupado por filmes do Cine Total, com Rubens Ewald Filho, e compactos de jogos da Copa da Uefa.

A aposta em um João Kléber comediante fazia sentido. O profissional se destacara no passado como redator de humor na Globo, chegando a trabalhar com Chico Anysio e comandar quadros no Fantástico. João Kléber também fazia participações no Cassino do Chacrinha, chegando a comandar os últimos programas, quando Abelardo Barbosa já vinha sofrendo com problemas de saúde. Ao sair da Globo, comandou um talk show na CNT e participou de esquetes em A Praça É Nossa, do SBT, onde fazia divertidas imitações de celebridades. Ao ganhar um programa na RedeTV, João Kléber veio com a proposta de um programa de auditório bem-humorado, que até lembrava razoavelmente o Saturday Night Live americano.

No Te Vi na TV, João Kléber dividia o palco com a Banda Karnak, de André Abujamra. O apresentador abria a atração com um stand up, no qual fazia comentários bem-humorados sobre o cotidiano. Entre uma música e outra do Karnak, entravam em cena entrevistas e alguns esquetes de humor, entre eles a participação dos festejados C1 e C2, que fizeram tanto sucesso que logo foram contratados pela Record para participar do dominical Eliana no Parque (e desapareceram logo depois, diga-se). Kléber mostrava sua veia como imitador e um dos primeiros quadros do Te Vi na TV era justamente a “Nuvenzinha do Chacrinha”, onde imitava o Velho Guerreiro comandando um programa diretamente do céu. Não era nem um poço de criatividade, verdade, mas o primeiro Te Vi na TV divertia. E ia bem na audiência: o programa das noites de segunda da RedeTV tornou-se a atração mais vista da emissora.

Te Vi na TV foi obrigado a mudar de nome, tornando-se Eu Vi na TV, e seguiu apostando em novos quadros. Um dos mais famosos dos primeiros tempos era da drag queen Charlotte Pink, vivida por João, que comandava um quadro de entrevistas. O “talk show” deu certo e permaneceu no ar por um bom tempo. Porém, aos poucos, a atração foi buscando outros quadros, saindo um pouco do campo do humor e entrando em outras searas de programas de auditório. Foi nesta época que surgiu o quadro Teste de Fidelidade. Com jeitão de “soft porn”, a atração explodiu e acabou tomando conta de todo o programa. Eu Vi na TV, assim, deixava de ser um programa de humor.

Isso credenciou João Kléber a seguir apelando em busca de audiência, e o apresentador ganhou mais espaço na RedeTV. Surgiu o diário vespertino Canal Aberto, inicialmente um telebarraco que se sustentava em brigas com vizinhos e reconstituições de “casos reais”. Depois, acabou virando um programa de pegadinhas sem graça. Saiu do ar e deu espaço ao Tarde Quente, que tentou retomar o telebarraco, mas também acabou se tornando um programa de pegadinhas. Eu Vi na TV e Tarde Quente, juntos, eram campeões de reclamações do público. O vespertino acabou acusado de desrespeito à cidadania, culminando com a suspensão do sinal da emissora por um dia no ano de 2005. O ocorrido fez João Kléber deixar a emissora.

Surpreendentemente, João Kléber acabou retornando à RedeTV no ano de 2012, quando a emissora perdia o Pânico para a Band e estava desesperada em busca de um novo produto com apelo semelhante na audiência. Com isso, voltaram o Teste de Fidelidade, agora um programa-solo; o matinal Você na TV, uma releitura do Canal Aberto; e as pegadinhas sem-graça, com o Te Peguei na TV. Mais uma vez, João Kléber surgia em atrações de gosto duvidoso, todos com jeitão de enganação, e mostrando seu imenso talento em segurar duas horas de um programa sem qualquer conteúdo. Um feito e tanto, diga-se.

Do Te Vi na TV até aqui, João Kléber se distanciou tanto de seus primeiros anos de carreira, que a gente até esqueceu que ele já foi, sim, um apresentador e humorista talentoso. Bastava ver as reprises do Cassino do Chacrinha no Viva para notar que Kléber era, sim, um animador competente. Não cheguei a ver João no Fantástico, mas me lembro bem de suas participações em A Praça É Nossa e nos primeiros Te Vi na TV, e ele era, sim, um cara divertido e irreverente. Por que será que este João Kléber se perdeu com o tempo, dando espaço a este apresentador que parece topar qualquer negócio em busca da audiência?

Por isso, pareceu uma boa ideia a decisão da RedeTV de extinguir todos os programas de gosto duvidoso de João Kléber e entregar a ele o João Kléber Show, que estreou no último domingo, dia 5. Era a chance de João voltar a se mostrar como bom animador ao público, mostrando uma faceta diferente a quem o vê nestes 16 anos de existência da RedeTV. E isso foi realmente visto no programa de estreia: um João Kléber descontraído, sem “para, para, para” e sem segredos absurdos a serem revelados. No entanto, João Kléber Show ainda não empolgou.

Talvez para resgatar os tempos do Cassino do Chacrinha, o João Kléber Show mostrou-se um grande programa de calouros, com direito a uma bancada de jurados composta por Ovelha, Nahin e a “faz-tudo” Iris Stefanelli. O grande desfile de calouros seguida do julgamento da bancada se arrastou por todo o programa, que também apostou numa entrevista com o cantor Andrea Bocceli. E, no vídeo, a impressão que passou é que João Kléber Show é algo datado, antigo. Pouco dinâmico, lembra demais os programas de auditório dos anos 1980, e não faz muito sentido nos dias de hoje. Ou seja, para conquistar seu lugar ao sol, o JK Show precisará de diversos ajustes. Talvez a saída seja aproveitar que o programa leva o nome de seu apresentador e resgatar o potencial de “showman” de João Kléber, abrindo espaço para que ele faça um pouco de tudo, inclusive uma volta ao humor. Poderiam até aproveitar o primeiro formato do Te Vi na TV como inspiração. Seria uma saída.

Mas o principal desafio do João Kléber Show é conseguir descolar de seu apresentador o selo de “apelão” e “trash”. O histórico de Kléber mostra, sim, que ele pode ser maior do que isso. No entanto, ele está há mais de 15 anos neste nicho popularesco (vale lembrar que ele fez versões do Teste de Fidelidade na TV europeia no período em que se afastou da TV brasileira), e criou uma imagem forte no segmento, conseguindo derrubar tudo de bom que ele já fez anteriormente. Assim, vai levar um certo tempo para o público se convencer de que João Kléber pode, sim, ser um bom apresentador. Resta saber se a RedeTV terá paciência para esperar os resultados desta mudança de imagem, ou vai preferir voltar a apelar e enfiar pegadinhas e testes de fidelidade no JK Show. É um risco que existe.

André Santana

Novo horário de novelas da Record faz bem pra todo mundo!

Bem interessante acompanhar os números de audiência dos principais canais de TV aberta desde que a Record passou a exibir a novela Escrava Mãe na faixa das 19h30. Com a novidade, o canal viu seu Ibope no horário crescer. E respirou aliviado, já que sempre havia o temor de se trocar o bom resultado do Cidade Alerta por uma incógnita. Mas Escrava Mãe ampliou os índices do jornalístico.

Curioso é que não foi apenas a Record quem ganhou. Globo e SBT também já podem ficar satisfeitos com seus respectivos desempenhos no mesmo horário. Haja Coração, atual cartaz das sete da Globo, não tem decepcionado e já uma das estreias mais bem-sucedidas na faixa nos últimos tempos. Mas a grande surpresa foi mesmo nos domínios de Silvio Santos, que viu crescer a audiência do jornal SBT Brasil, também exibido no mesmo horário.

O site NaTelinha fez a constatação. Segundo a publicação, o jornalístico apresentado por Carlos Nascimento, Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade cresceu 21% em audiência desde a estreia da novela protagonizada por Gabriela Moreyra e Pedro Carvalho. Ainda segundo o site, nos últimos oito dias confrontando o folhetim da concorrente - de 31 de maio até ontem, 8 de junho -, o SBT Brasil marcou média de 6,7 pontos no Ibope da Grande São Paulo. O maior número deste período foi nesta última quarta, quando fechou com 8,3 pontos de média, seu recorde em 2016. O site também afirma que já havia uma pressão interna por melhores resultados do SBT Brasil, que era a menor audiência do horário nobre. Agora, já há uma maior tranquilidade.

Na prática, o que aconteceu foi que o público de novelas se ampliou e se dividiu entre Globo e Record. Os números estão bons porque as duas tramas, Haja Coração e Escrava Mãe, são boas. A trama da Record, aliás, surpreendeu positivamente pela qualidade do texto, da produção e do elenco. Neste contexto, o público que prefere noticiosos e assitia ao Cidade Alerta ficou órfão na faixa das 19h30, com o encurtamento do programa de Marcelo Rezende, e acabou encontrando refúgio no SBT Brasil.

Falando em movimentações interessantes na audiência, a noite de quarta-feira também tem rendido fortes emoções com a disputa entre Gugu e Programa do Ratinho. Desde que estreou nova temporada, a atração de Gugu Liberato vinha numa série de vitórias contra o programa de Carlos Massa, que se viu obrigado a reformular seu formato neste dia da semana. Mas ontem, 08, ho horário em que foram simultaneamente ao ar, das 22h34 à 00h13, o apresentador do SBT virou o jogo e registrou 8,5 pontos de média contra 8,1 da atração da Record. É a segunda vez no ano que Ratinho vence Gugu. Pois é, a disputa entre o teste de DNA e as entrevistas “bombásticas” ainda vai render até o fim do ano…

André Santana

News: "Especial Pixar" no Telecine Pipoca

Por conta da estreia de Divertida Mente no Telecine Pipoca no dia 12 de junho, o canal leva ao ar como aquecimento um especial com produções da Pixar. Espécie de selo de qualidade quando o assunto é animação, a empresa de propriedade da Disney também assina sucessos como Ratatouille, O Banquete, Wall-E, Up: Altas Aventuras e Lava, que serão exibidos em sequência, a partir das 13h45.

Em Ratatouille, um ratinho que tem o sonho de se tornar chef de cozinha se une a um jovem cozinheiro. Juntos, eles formam a dupla perfeita para preparar pratos deliciosos. Mas precisam ficar atentos ao chef de cozinha, que quer separá-los.

Em seguida, às 15h45, o Telecine Pipoca exibe o delicado curta-metragem O Banquete. A produção mostra o relacionamento amoroso de um homem através dos olhos do seu cãozinho Winston, com quem divide as refeições.

Às 15h55, Wall-E dá sequência ao especial. Depois de destruir a Terra com poluição, a raça humana passa a viver em uma nave no espaço. Wall-E é um robô construído para limpar o planeta e sobrevive à base de energia solar. Um dia, uma nave traz uma nova e moderna robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada.

Às 18h, vai ao ar Up: Altas Aventuras. Carl Fredricksen está prestes a perder a casa em que viveu com sua falecida mulher. Para isso não acontecer, ele enche milhares de balões e os conecta à casa, para levantar voo e viajar em direção à América do Sul. Só que ele descobre que o seu pior pesadelo embarcou junto nessa aventura: Russell, um menino de 8 anos. O filme faturou o Oscar de Animação e Trilha Sonora Original e também foi indicado nas categorias de Filme, Roteiro Original e Edição de Som.

Às 19h50, o curta-metragem Lava será exibido. No filme, Uku é um vulcão solitário, romântico e que canta todos os dias à procura de alguém para amar e que o ame. Quando está praticamente extinto, ele encontra Lele, um vulcão que estava sob as águas.

Às 20h, Divertida Mente encerra o especial. A pequena Riley, de 11 anos, encara diversas mudanças na vida quando seus pais se mudam para San Francisco. Dentro do cérebro da jovem, diferentes emoções, como a radiante Alegria, os sentimentos Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza, convivem de forma nem sempre harmoniosa. Após um acidente, duas integrantes são expelidas da sala de controle. A confusão faz com que todas essas sensações se embaralhem e virem a rotina da menina pelo avesso.

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Adriane Galisteu no "Vídeo Show"?

Faz tempo que você não vê Adriane Galisteu num programa para chamar de seu na TV aberta, não é mesmo? Mas a apresentadora não para e, vira e mexe, correm notícias sobre um possível retorno seu ao ar. Desta vez, os comentários são de que Adriane é o nome da vez para a bancada do Vídeo Show, na Globo.

A conversa ganhou força quando o colunista Flavio Ricco noticiou que a apresentadora esteve recentemente na emissora numa reunião com Boninho, e relacionou o fato à possível saída de Susana Vieira do vespertino. Como Susana é atriz de novelas e poderá ser escalada em breve para uma nova produção, sua passagem pelo Vídeo Show pode ser breve. E, a partir daí, não faltaram notinhas dando conta de que o nome de Adriane Galisteu era bastante cotado para a atração, como substituta de Susana Vieira. A conversa foi tão forte que a própria Globo veio a público desmentir qualquer negociação envolvendo Adriane Galisteu e o Vídeo Show.

No entanto, Flavio Ricco manteve a informação de que Adriane Galisteu e o diretor Boninho se reuniram na Globo. Ou seja, uma conversa pode estar acontecendo, embora não se saiba ao certo para que. Já se especulou, por exemplo, que Adriane poderia ser aproveitada na emissora como atriz. Alguns apostavam que ela poderia acertar participação na próxima temporada de Malhação. Já outros afirmaram que ela estaria no elenco de Á Flor da Pele, próxima novela assinada por Gloria Perez. Ou seja, conversas não faltam. E vale lembrar que Adriane participou da novela Xica da Silva, na Manchete, e já foi cotada mais de uma vez para assumir papéis em folhetins da Globo. Na época, ela não aceitou porque preferiu se dedicar à carreira de apresentadora.

Mas, se a tal reunião foi com Boninho, então é pouco provável que o assunto tratado fosse participação em novelas, afinal, Boninho é o Diretor de Entretenimento de matinais/vespertinos e reality shows da Globo. Sendo assim, uma participação no Vídeo Show faria mais sentido que um acerto para novelas. Caso não seja a revista da tarde, que outra função Adriane Galisteu poderia assumir nos territórios do Projac? Um novo reality show? Ser o “sétimo elemento” do superpopuloso É de Casa? Ou ela foi apenas tomar um café com Boninho? O jeito é dar tempo ao tempo…

Uma possível participação de Adriane Galisteu no Vídeo Show não seria má ideia. O atual rodízio de apresentadores não tem ajudado o programa a melhorar sua situação. E como o blog sempre defendeu, o Vídeo Show carece de uma apresentadora de verdade, e não uma atriz ou humorista transformada em apresentadora. E Adriane Galisteu é das boas, e poderia até fazer uma boa dobradinha com Otaviano Costa. Aliás, os dois já dividiram o palco, no especial de verão Bahia 50 Graus, da Record, quando ambos eram contratados do canal paulista. Só pesa contra o fato de Adriane ter fama de “pé frio”. Vamos ver o que acontece.

André Santana

Globo e Record voltam a promover embate de novelas na faixa das sete

A televisão é mesmo cíclica. Pouco mais de dez anos após a estreia de A Escrava Isaura, trama que impulsionou a teledramaturgia da Record e criou um embate intenso com as novelas das sete da Globo (Começar de Novo era o folhetim global na época), as duas emissoras voltam a confrontar tramas na mesma faixa. Haja Coração e Escrava Mãe estrearam no mesmo dia, e praticamente no mesmo horário, e ambas com bons resultados apresentados em sua primeira semana.

Embora o embate entre novelas das sete da Globo e Record tenha começado em 2004, com a estreia de A Escrava Isaura, a batalha no horário pegou fogo mesmo no ano seguinte, quando Bang Bang, da Globo, bateu de frente com Prova de Amor, da Record. A trama com jeitão experimental de Mario Prata causou estranheza na audiência, enquanto o dramalhão de Tiago Santiago mostrava entrechos mais tradicionais, embalados pela bela paisagem do Rio de Janeiro. Foi aí que a dramaturgia da Record deu um grande salto, abrindo caminho para que outras produções de sucesso fossem lançadas na sequência. Enquanto isso, a Globo bateu cabeça e emplacou poucos sucessos no horário.

Muita coisa mudou de lá pra cá. A Record desistiu do horário das sete, preferindo concentrar suas novelas no horário das dez. Chegou a retomar a faixa em alguns momentos, com Alta Estação e Rebelde, mas sempre no esquema de “troca-troca” de horários, e nunca como um investimento sério em realmente embalar o horário. Estratégia equivocada, se considerarmos que a Globo vinha num histórico de tramas pouco chamativas na faixa, e tal fragilidade jamais fora aproveitada pela concorrência para avançar. Com isso, a Globo acabou concorrendo sempre contra ela mesma, enfileirando insucessos e sucessos medianos no horário.

E o cenário mudou do ano passado para cá. Desde Alto Astral, a Globo tem observado uma curva de audiência crescente no horário das sete. I Love Paraisópolis, sua sucessora, não decepcionou, e abriu caminho para que Totalmente Demais se tornasse o mais recente grande sucesso do horário. E foi justamente neste contexto favorável à emissora dos Marinho que a Record resolveu contra-atacar e voltar a apostar no horário. Haja Coração e Escrava Mãe estrearam em alta e criaram um problema para quem gosta de assistir folhetins. São duas boas opções.

A Globo leva vantagem por seguir na sua sequência inabalável de novelas. Haja Coração estreou numa terça-feira, aproveitando o embalo do sucesso do episódio final de Totalmente Demais. Comparados com o desfecho da trama anterior, os números da estreia são inferiores, claro, mas comparando com as estreias anteriores (que é o mais coerente), a história de Daniel Ortiz começou muito bem. Havia toda uma desconfiança nesta trama, que é uma releitura de Sassaricando que coloca a antológica Tancinha como uma heroína romântica. A figura cômica e caricata criada por Claudia Raia convenceria como heroína na pele de Mariana Ximenes? A julgar pelos primeiros capítulos, a resposta é sim. Mariana criou uma nova Tancinha, que também fala errado, mas tem os pés mais fincados na realidade. Está bem.

Haja Coração aposta num humor quase infantil, o que parece já ser a marca do autor Daniel Ortiz. A trama é leve e vem carregada em piadinhas batidas, tal qual Alto Astral. É quase bobinha, mas consegue alguma credibilidade graças a uma direção correta e um time de atores que segura bem o texto. O destaque positivo é o núcleo formado por Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Rocche), curiosamente o núcleo principal de Sassaricando. É aqui que está o texto mais esperto, cheios de referências e alguma crítica social embalada no humor. E as três atrizes estão ótimas como estas amigas que se unem ao acaso. Suas sequências divertem. No mais, é preciso observar mais alguns capítulos para ver se, de fato, Haja Coração conseguirá se desvencilhar desta coisa datada, herança dos anos 1980 de Sassaricando. Toda a cafonice de Fedora (Tatá Werneck), por exemplo, parece daquela época, mesmo a personagem se esforçando para tentar ser moderna e querer se tornar rainha das redes sociais. Algo ali provoca ruído. Vamos ver.

Enquanto isso, a desconfiança nos lados da Record era mesmo a qualidade de Escrava Mãe. Prevista para estrear em novembro do ano passado, a trama de Gustavo Reiz foi adiada tantas vezes que aumentou a desconfiança do público. Felizmente, a má impressão foi apagada logo após a estreia do folhetim sobre a mãe da Escrava Isaura. A novela é um clássico, passado nos tempos da escravidão e, claro, terá como pano de fundo a luta dos abolicionistas. Juliana (Gabriela Moreyra) é a personagem-título, fruto de um estupro e uma escrava com algumas “regalias” dentro da casa onde serve. Ela se apaixonará pelo português Miguel (Pedro Carvalho), mas baterá de frente com sua “sinhazinha”, a invejosa Maria Isabel (Thaís Fersoza), que também deseja o gajo.

O texto de Gustavo Reiz é simples sem ser excessivamente didático, e parece superior à sua obra anterior, o remake de Dona Xepa. O elenco é coeso e de grande qualidade, desde os jovens Gabriela Moreyra e Pedro Carvalho, até medalhões do naipe de Jayme Periard (Osório), Luiza Tomé (Rosalinda), Jussara Freire (Urraca) e Zezé Motta (tia Joaquina). A direção de Ivan Zettel é segura, a fotografia é belíssima e os cenários, muito bem acabados. Escrava Mãe, assim, apresenta uma qualidade muito superior aos últimos folhetins da Record, inclusive o hit Os Dez Mandamentos. Além, claro, de ser uma opção ao público da emissora que curte novelas, mas não se empolga com os folhetins bíblicos. Assim, criada emergencialmente para exibir Escrava Mãe (que originalmente iria ao ar às 20h30), a faixa de novela das sete tem todas as condições de continuar e trazer bons frutos ao canal. A boa audiência alcançada (a trama ampliou os números da Record e impulsionou Os Dez Mandamentos) mostra que há público para isso. Ficamos na torcida.

André Santana 

Uma visita aos Estúdios Globo

Na última semana, tive a grata oportunidade de conhecer os Estúdios Globo, o famoso Projac, no Rio de Janeiro. Uma chance única a quem é fã de televisão, cresceu assistindo às novelas e programas, e ainda tornou-se um pesquisador da área. Escrevo sobre televisão há mais de dez anos, e nada mais interessante que ver, com os próprios olhos, como são feitos os programas dos quais tanto comentamos neste espaço todos os dias. Por isso, acompanhei um grupo de estudantes de comunicação numa visita técnica ao Projac na manhã do dia 25 de maio.

A visita começou justamente nos estúdios onde são gravadas as principais novelas da casa. Era quase meio-dia quando adentrei nos cenários de Eta Mundo Bom!, que estavam praticamente prontos para receber os atores e a equipe de gravação. O guia que acompanhou a visita explicou que as gravações em estúdio começam sempre a partir das 13 horas. Passei por cenários familiares, como o estúdio de rádio e o Táxi Dancing, um dos ambientes principais da trama de Walcyr Carrasco. O guia explicou que o estúdio abriga até oito cenários, que são desmontados e remontados todos os dias, e grava-se o maior número de cenas possível em cada um deles. Muitos pontos impressionam: a quantidade de luzes, o capricho dos ambientes e, principalmente, o pouco espaço entre os cenários. Os ambientes que parecem grandiosos em cena, na verdade, são bem modestos em termos de espaço.

Saindo do estúdio de Eta Mundo Bom!, conhecemos o estúdio de Totalmente Demais. Como a trama estava na reta final, o guia explicou que as gravações ali estavam praticamente encerradas. O único cenário montado ali era o hospital onde Jonatas (Felipe Simas) e Eliza (Marina Ruy Barbosa) passaram por um transplante de fígado. Logo depois, visitamos o estúdio de Velho Chico, sem dúvidas o ambiente que mais impressionou. Foi explicado que, ao contrário dos cenários de Eta Mundo Bom! e Totalmente Demais, os cenários de Velho Chico eram quase todos fixos, ou seja, não passam pelo monta-e-desmonta do das demais novelas. E é fácil perceber por que: o ambiente reproduz praticamente uma casa inteira, onde vivem os Sá Ribeiro.

Passamos pela suntuosa sala da casa do Coronel Saruê (Antonio Fagundes), com sua imponente escada. Visitamos também a cozinha que reproduz com uma fidelidade impressionante uma tradicional cozinha de fazenda. O ambiente já remete, direto, às cenas da novela, e é impossível não pensar nas criadas da casa comentando a vida dos patrões ali. A casa cenográfica conta ainda com corredores estreitos, que nos faz até esquecer, por um momento, que se trata de um cenário. Uma batida de leve na parede nos traz de volta à realidade: é tudo de madeira. Os quartos de Saruê e Iolanda (Christianne Torloni), de Maria Tereza (Camila Pitanga) e dona Encarnação (Selma Egrei) também impressionam pelo capricho. No escritório de Saruê, há um choque temporal: os móveis remetem à coisa antiga, mas um moderno computador sobre a mesa revela que a novela está, sim, em 2016. Assim como nos estúdios das outras novelas, os cenários de Velho Chico também parecem menores pessoalmente do que pela TV. Mas é fabuloso.

Visitamos ainda as cidades cenográficas de Eta Mundo Bom! e Totalmente Demais. A cidade da novela das seis é encantadora: a São Paulo dos anos 1940 faz a gente se sentir num parque temático. É impossível resistir a uma foto no bondinho, ou na fachada do cinema que ostenta cartazes de clássicos como Casablanca. Aqui, também há uma percepção quanto à escala de tamanho, e as fachadas dos prédios e casas parecem menores pessoalmente. Já na cidade de Totalmente Demais, já praticamente desativada, entramos direto pelo ambiente que representa Curicica. Ali encontramos o coreógrafo Fly, que nos explicou o seu trabalho na trama (era ele o responsável pelas coreografias da novela). Passamos por um estreito corredor e saímos direto no Bairro de Fátima, onde Cassandra (Juliana Paiva) aprontava das suas. É curiosa a sensação de estar dentro da novela.

Também visitamos o setor de efeitos especiais, onde nos foi explicado como são feitas as cenas de acidente e perigo. Havia ainda uma mesa repleta de próteses, onde pudemos observar de perto coisas curiosas, como a cabeça de Tiradentes (Thiago Lacerda) de Liberdade Liberdade, o pé de Dona Redonda (Vera Holtz) em Saramandaia, e até o rosto inteiro de Isis Valverde, confeccionado para uma cena da minissérie O Canto da Sereia. Passamos ainda pelo setor de figurinos, onde ficam expostos trajes clássicos, como o da Viúva Porcina, de Roque Santeiro, por exemplo. E foi ali, bem na entrada, que vivi a emoção de encontrar uma “ídola” da infância: a sheep dog Priscila, da TV Colosso, se encontra parada bem ali, dando boas vindas a quem chega. Peluda e fofinha, Priscila ainda conserva o mesmo shape dos áureos tempos deste que foi um dos melhores programas infantis da televisão brasileira. Saudades...

Os Estúdios Globo são realmente uma fábrica de sonhos. Poder ver um sonho sendo produzido foi um privilégio.


André Santana

"Totalmente Demais": merecido sucesso no horário das sete

Maior sucesso do horário das sete da Globo desde Cheias de Charme, Totalmente Demais sai de cena numa segunda-feira, coisa incomum na emissora. Apenas um dos inúmeros aspectos que colocam a trama de Paulo Halm e Rosane Svartmann numa ala de destaque na teledramaturgia da emissora. Arroz-com-feijão bem temperado, que dosou bem o melodrama e o factual, Totalmente Demais encerra seu ciclo dona de todos os méritos.

Num momento em que muitos afirmam que o espectador sentia saudades de uma novela mais tradicional, Totalmente Demais veio suprir este nicho. Trouxe uma espinha dorsal básica, clássica e com ares de contos de fada. A trama de Eliza, livremente inspirada em My Fair Lady, bebe da boa e velha fórmula da transformação, vista e revista em contos como Cinderella e O Patinho Feio. Uma trama que costuma conquistar a audiência, vide sucessos como Betty, a Feia, ou Fina Estampa. O mote da transformação não rodeou apenas a mocinha, mas também todos aqueles que a rodeavam, tornando os personagens possíveis e facilmente identificáveis pela audiência, outro fato que explica o sucesso da trama.

A transformação de Eliza é a mais óbvia, mas não menos envolvente. Criada num ambiente hostil, a mocinha tornou-se quase selvagem para se defender das dificuldades e, principalmente, do assédio do padrasto. Quando decide deixar tal ambiente e se aventurar na cidade grande, vive novas situações que a fazem mudar, mas sem perder sua essência. Conhece o amor, entra numa disputa de modelos para tentar mudar de vida e aceita aprender a ser mais sociável em busca da vitória no concurso. O treinamento a deixa menos agressiva, mas suas relações pessoais e sociais a transformam numa mulher forte e amadurecida. Eliza desabrochou.

Jonatas (Felipe Simas), o amor que a ajuda, também mudou. Vendedor ambulante que vive num cinema abandonado, o jovem de bom coração também se transforma quando seu caminho cruza o de Eliza. Enquanto tenta ganhar a vida e merecer o amor da mocinha, Jonatas vai, aos poucos, conquistando novas oportunidades e fazendo reconhecer o seu valor. Termina a obra como um profissional respeitado e ao lado de seu amor.

Arthur (Fabio Assunção), o dono da agência que toma para si a missão de transformar Eliza numa modelo, também se transforma enquanto se dedica à tarefa. Vivendo uma amizade colorida com Carolina (Juliana Paes) e com dificuldades em ingressar numa relação séria, Arthur se vê envolvido pelo encanto de Eliza. Ele se apaixona e se transforma a partir disso, tornando-se um homem melhor e um pai mais dedicado. Não conseguiu ficar com Eliza, mas saiu desta relação pronto para, finalmente, assumir algo mais sério com Carolina, que sempre o amou.

Falando nela, o quarto vértice deste “quadrado amoroso” foi o que mais se transformou. Carolina entra em cena apaixonada por Arthur e disposta a ter um filho com o homem que ama. Diante da recusa dele e de seu encantamento por Eliza, Carolina passa a considerar a jovem sua rival e a sabota de todas as maneiras possíveis. Mas os desdobramentos do concurso, a relação conturbada com Arthur, sua amizade com a irmã Dorinha (Samantha Schmutz) e, principalmente, a descoberta de que não pode ter filhos, a fazem mudar. Quando parte para a adoção e se dedica à criação de uma criança soropositiva, Carolina torna-se uma pessoa melhor. E reencontra Arthur também transformado. Agora sim, juntos, podem viver uma relação mais séria e madura.

Este foi o grande trunfo de Totalmente Demais. Trouxe personagens tridimensionais, colocou-os em situações de transformações e mostrou que todos são passíveis de mudanças, mas sem perder sua essência. Foi realmente um grande trabalho dos autores, que conseguiram fazer, mesmo dentro da fórmula do folhetim clássico, algo que fugisse do estereótipo extremamente maniqueísta. Resultado: o público embarcou nestes conflitos, apaixonou-se pelos personagens e torceu por eles. Há quanto tempo não víamos uma mocinha que não fosse uma chata? Eliza foi uma heroína e tanto! E há quanto tempo estamos reféns de vilãs psicopatas malucas, que nem sempre têm motivos fortes para agir? Carolina fugiu deste arquétipo e movimentou toda a trama sem precisar, necessariamente, ser uma bandidona. E sua redenção foi tão possível que ela mereceu seu final feliz.

Totalmente Demais também foi feliz quando se permitiu aprofundar temas mais pesados, mesmo dentro de uma trama tão leve e solar. A novela falou com propriedade de questões como assédio sexual e homofobia, sempre sem ser excessivamente panfletária, ou desfigurar a obra. Tudo bem encaixado. O texto também teve o trunfo de ser inteligente, cheio de referências clássicas e pop (que passava pela literatura e cinema, e também às redes sociais e “memes”) e bastante envolvente. Uma direção correta de Luiz Henrique Rios e um elenco afinado, com destaque total ao quarteto protagonista, também explicam seu sucesso. Vale destacar também os trabalhos de Vivianne Pasmanter (Lili), sempre ótima; Pablo Sanábio (Max); Juliana Paiva (Cassandra); e, claro, os veteranos Gloria Menezes (Stelinha) e Reginaldo Faria (Maurice), as cerejas do bolo no entrecho da transformação de Eliza.

Há quem tenha achado toda a fase do concurso Garota Totalmente Demais, que movimentou mais da metade da trama, meio repetitiva; ou que a volta da falecida Sofia (Priscila Steinman) tenha destoado além da conta. Mas nada disso tira o brilho de Totalmente Demais, novela que até devolveu ao público o prazer de torcer por um casal romântico. Valeu!

André Santana

"Troféu Imprensa" consagra Celso Portiolli e... Patrícia Abravanel?

Curiosamente, um dia depois do TELE-VISÃO analisar a atual fase do apresentador Celso Portiolli, que ganhou novo diretor e mais autonomia na condução de seus programas Sabadão e Domingo Legal, o comunicador foi agraciado com o prêmio de Melhor Apresentador de 2015, na última edição do Troféu Imprensa, exibido no domingo, 22. Em 22 anos de SBT, é a primeira vez que Celso recebe a famosa estatueta dourada que Silvio Santos copiou do Oscar. Seria uma grande e merecida consagração, não fosse o fato de o Troféu Imprensa seguir em queda livre no quesito credibilidade e relevância, já que até Patrícia Abravanel vem colecionando troféus.

Aliás, as categorias Melhor Apresentador/Animador e Melhor Apresentadora/Animadora nunca conseguem fazer justiça. Isso porque só aparecem entre os indicados os comandantes de programas de auditório. Por que o Troféu não pode ser entregue a alguém que comanda uma atração sem plateia? Tem tanta gente boa comandando programas sem auditório que merecia reconhecimento...

Lembro bem que, anos atrás, os prêmios eram entregues sempre à Hebe Camargo e Gugu Liberato. Ela, consagrada pelo público e pela crítica, raramente perdia uma competição. E Gugu colecionou troféus quando o Domingo Legal estava no auge. Quando perdeu força, abriu espaço para que Luciano Huck, Serginho Groismann, Fausto Silva, Marcio Garcia e Rodrigo Faro estreassem na disputa. Já no lado do time feminino, Hebe costumava disputar com outras apresentadoras de programas de auditório, como Adriane Galisteu e Luciana Gimenez e, mais recentemente, Eliana. Angélica, quando comandava o Vídeo Game, sempre competia, e até venceu a disputa no ano de 2010. Mas, quando deixou o quadro do Vídeo Show e passou a se dedicar somente ao Estrelas, nunca mais foi vista na disputa, o que deixa claro que apenas apresentadores de programa de auditório têm vez.

Talvez por isso, bizarrices como a vitória de Patrícia Abravanel como melhor apresentadora aconteçam. Nada contra a filha de Silvio, mas nem de longe Patrícia é a melhor da TV. Eliana, Luciana Gimenez, Fernanda Lima, Xuxa Meneghel, Sabrina Sato, Fátima Bernardes e cia bela são bem melhores que a dona do Máquina da Fama. Entre as apresentadoras que não têm auditório, a lista aumenta: Angélica, Sonia Abrão, Astrid Fontenelle, Cátia Fonseca, Ana Maria Braga... todas bem melhores que Patrícia. Ana Maria, aliás, só concorreu ao prêmio quando comandava o Programa Ana Maria Braga, com auditório, na Record. E ela é um dos principais nomes da televisão brasileira e jamais poderia ficar de fora desta disputa.

No caso de Celso Portiolli, o Troféu Imprensa corrige uma injustiça histórica. Celso é um excelente profissional, com um talento nato para animador, e que merece, sempre, figurar entre os melhores. Dentre seus concorrentes na premiação, Luciano Huck e Rodrigo Faro, é mesmo o melhor, mas leva desvantagem, pois é dono do pior programa: Hora do Faro e Caldeirão do Huck são superiores ao Domingo Legal. Mas, pela bela trajetória e pelo talento de Celso, um reconhecimento ao profissional é mais do que merecido. Uma pena que seja pelo Troféu Imprensa, cada vez mais desprestigiado. Nos últimos anos, o Troféu piorou muito ao passar a escolher os indicados por votação pela internet. Deste modo, nunca entram os melhores de fato, e sim quem tem mais fãs. Triste.

AVISO! Estou saindo de viagem, por isso o blog não será atualizado nos próximos dias. Volto na terça-feira, dia 31, fazendo o balanço final de Totalmente Demais. Até lá!

André Santana

Retomar a relevância do "Domingo Legal" é o desafio de Celso Portiolli

Nas últimas semanas, muito se falou sobre uma possível rusga entre o apresentador Celso Portiolli e o diretor Roberto Manzoni, o Magrão, responsável pelos seus programas Sabadão com Celso Portiolli e Domingo Legal. Se há algum fundo de verdade nisso, não se sabe ao certo, e nem nos cabe especular isso, mas o fato é que Magrão, recentemente, deixou o comando destes programas, pouco tempo depois de Celso reclamar publicamente, por meio do Twitter, que não tinha autonomia nos programas que assinava. O diretor Rubens Gargalaca, da equipe de Magrão, assumiu a direção geral dos programas, enquanto o SBT avisou que Celso teria mais liberdade de criação.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas... por que será que o SBT demorou tanto para dar carta branca a Celso Portiolli? Outras estrelas da casa, como Ratinho e Eliana, participam diretamente da formatação de suas atrações. Já Celso, desde que substituiu Gugu Liberato no comando do Domingo Legal, não gozava da mesma liberdade. Um fato estranhíssimo, tendo em vista que Celso viveu seu melhor momento na emissora comandando o Curtindo Uma Viagem, criado e dirigido por ele, e que era líder de audiência nas tardes de domingo. Ao mesmo tempo, Gugu, quando ainda estava à frente do Domingo Legal, também tinha grande participação em sua atração, que em seus últimos anos era dirigido por Homero Salles.

Eis que em 2009, quando Celso na apresentação e Magrão na direção assumiram o Domingo Legal, o programa entrou numa fase muito esquisita. Praticamente nada de novo foi criado para deixar a atração mais parecida com seu novo apresentador, cujo perfil sempre foi diferente do de Gugu. De repente, Celso estava lá reformando casas no Construindo um Sonho, quadro de sucesso de Gugu. A diferença foi gritante. Enquanto isso, no palco, nada acontecia. Vídeos de internet, homenagens capengas e a famigerada “piscina de amido” ocupavam as quatro longas horas do programa. O Domingo Legal em seus últimos anos com Gugu já não era nenhum poço de criatividade, mas com Celso a coisa conseguiu piorar.

Algum tempo depois, alguém teve a ideia de resgatar o Passa ou Repassa, game show histórico e de grande sucesso do SBT, e primeiro programa de Celso no canal, e transformá-lo num quadro do Domingo Legal. Quando estreou, Passa ou Repassa era pré-gravado e ocupava a primeira hora do dominical, trazendo de volta a boa e velha disputa de conhecimentos gerais e agilidade entre colégios. Não foi um estouro, mas ao menos acrescentou um conteúdo a mais ao Domingo Legal, que seguia fraco de ideias. No entanto, aos poucos, o game começou a se desfigurar: passou a ser exibido ao vivo, se estender por horas a fio e seus times participantes passaram a ser compostos por convidados que, quase sempre, eram ilustres desconhecidos. Virou um festival de modelos anônimas no time feminino e algum grupo de pagode que foi famoso nos anos 1990 no time masculino.

No ano passado, Domingo Legal sofreu um novo golpe: perdeu duas horas para a faixa Mundo Disney. Com duas horas de duração, a atração passou a contar praticamente apenas com o Passa ou Repassa, que seguia repleto de ilustres desconhecidos na disputa. Para compensar a perda, foi criado o Sabadão com Celso Portiolli nas noites de sábado, e que também estreou sob a mesma falta de criatividade que o Domingo Legal: primeiro era praticamente musical, e depois estrearam alguns quadros pouco chamativos. Mesmo assim, o programa vem conseguindo bom resultado, disputando em pé de igualdade a vice-liderança no Ibope com o Legendários, antes consolidado na vice.

Com a saída de Magrão, os dois programas começam a buscar um novo rumo. O Sabadão, que vem funcionando com sua sequência de quadros meia-boca como Pra Namorar tem Que Beijar, lança um novo nesta noite, o Roleta dos Microfones, um game no qual os participantes devem adivinhar quem está cantando com a voz distorcida. Os participantes da estreia são do naipe do Passa ou Repassa: Fernanda Keulla, Camila Salgado e Thays Gorga no time feminino e no time masculino Elieser, Miguel Nader e Giovanni Venturini.

Mas o desafio maior é mesmo retomar a relevância do Domingo Legal. Título forte do SBT, há mais de 20 anos no ar, a atração foi um divisor de águas na programação dominical da televisão brasileira. Hoje, encontra-se sucateado, parecendo estar no ar por inércia. A reformulação em seu comando precisa fazer com que o programa justifique a sua existência. Obviamente, é pouco provável que recupere o prestígio do passado, já que os tempos são outros e a concorrência está muito mais fortalecida. Mas a atração tem um grande apresentador, versátil e que, com o formato adequado, tem todas as condições de fazer a diferença.

Celso Portiolli é competente. Atuou bem em praticamente tudo o que fez no SBT em seus 22 anos no canal. Manteve o sucesso do Passa ou Repassa quando Angélica deixou a atração para assinar com a Globo. Conquistou seu espaço na programação dominical com o Tempo de Alegria, mas a consagração veio mesmo com o divertido Curtindo Uma Viagem. Depois virou estepe na grade, mas, mesmo assim, mostrava serviço e era sempre uma atração, conseguindo fazer até do tosco Sessão Premiada algo minimamente divertido. Mas herdou o Domingo Legal e, mesmo completando sete anos à frente da atração, nunca de fato imprimiu sua marca ali. Já passou da hora de virar este jogo. Não é impossível.

André Santana

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